TEOLOGIA PÚBLICA: DO LEGADO DE PANNENBERG AOS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA CRISE CLIMÁTICA, PENTECOSTALISMO E AUTORITARISMO
Resumo
O presente artigo analisa a contribuição da teologia de Wolfhart Pannenberg para a teologia pública contemporânea, examinando três desafios específicos: a crise climática, o fenômeno pentecostal no Brasil e no Global Sul, e os contextos de autoritarismo político. A partir da escatologia pannenbergiana, fundamentada na ressurreição como evento público e antecipação do Reino de Deus, propõe-se uma teologia pública que integre fidelidade teológica e relevância pública, dialogando com a teologia da libertação latino-americana e respondendo às demandas do pluralismo religioso e da justiça socioambiental.
Palavras-chave: Teologia pública; Wolfhart Pannenberg; crise climática; pentecostalismo; autoritarismo; teologia da libertação.
Abstract
This article analyzes Wolfhart Pannenberg's contribution to contemporary public theology, examining three specific challenges: the climate crisis, the Pentecostal phenomenon in Brazil and the Global South, and contexts of political authoritarianism. From Pannenberg's eschatology, grounded in the resurrection as a public event and anticipation of the Kingdom of God, a public theology is proposed that integrates theological fidelity and public relevance, dialoguing with Latin American liberation theology and responding to the demands of religious pluralism and socio-environmental justice.
Keywords: Public theology; Wolfhart Pannenberg; climate crisis; Pentecostalism; authoritarianism; liberation theology.
1. Introdução
A teologia pública contemporânea enfrenta desafios que excedem em muito os contextos originários de sua formulação clássica. Se, para Wolfhart Pannenberg (1928-2014), a tarefa teológica consistia em demonstrar a racionalidade pública da fé cristã em sociedades pós-iluministas, hoje a teologia pública precisa responder a questões que remetem à urgência ecológica, à transformação do campo religioso no Sul Global e à resurgença de regimes autoritários.
O presente artigo propõe-se a articular três temas que configuram o horizonte problemático da teologia pública atual: (1) a crise climática como questão escatológica e ética; (2) o pentecostalismo como fenômeno político majoritário no Brasil e no mundo global sul; e (3) a teologia pública em contextos de autoritarismo. Em cada um desses eixos, busca-se identificar como as tensões entre escatologia e engajamento institucional — características do pensamento de Pannenberg — se reconfiguram diante de novas realidades.
2. Teologia Pública e a Crise Climática
A crise climática constitui tema que Pannenberg não desenvolveu diretamente, uma vez que sua obra principal é anterior à emergência da questão como problema público central. Contudo, sua teologia oferece recursos hermenêuticos e éticos relevantes para a formulação de uma teologia pública ecológica.
2.1 Recursos na teologia de Pannenberg para a crise climática
Embora Pannenberg não tenha produzido obra específica sobre ecologia, sua teologia sistemática contém elementos fundamentais para o tratamento da questão ambiental.
A criação como história
Para Pannenberg, a criação não se configura como evento passado, mas como processo histórico conduzido por Deus ao seu fim escatológico. A natureza, portanto, não é cenário estático, mas participa ativamente da Heilsgeschichte, isto é, da história da salvação. Tal compreensão implica duas consequências teológicas imediatas: em primeiro lugar, a natureza possui dignidade escatológica, estando destinada à participação no Reino de Deus, conforme a carta aos Romanos (8,19-23); em segundo lugar, a ação humana sobre a natureza não é neutra, mas acelera ou obstrui o caminho da criação ao seu fim teleológico.
A ressurreição como promessa para toda a criação
A ressurreição de Jesus não se restringe à esfera antropológica, apresentando-se antes como evento cósmico que antecipa a transformação de toda a criação. Tal fundamentação sustenta uma ética de cuidado com a criação como antecipação do futuro divino.
Crítica à dominação sem responsabilidade
Pannenberg desenvolve crítica à interpretação do "domínio" humano (Gn 1,28) como dominação exploradora. Para o teólogo alemão, o domínio humano constitui representação do domínio divino, caracterizado pelo cuidado e pela fidelidade. O pecado, em sentido pannenbergiano, transforma o domínio em exploração.
Tensão escatológica e ação ecológica
Surge aqui uma tensão característica do pensamento de Pannenberg: se o Reino é dom de Deus que vem no fim, qual o sentido da ação presente para preservação da criação? A resposta pannenbergiana articula-se em dois movimentos distintos. Em primeiro lugar, a ação ecológica é antecipação responsável do futuro de Deus. Em segundo lugar, não se trata de "salvar o planeta" como se a salvação dependesse da ação humana, mas de testemunhar que a criação possui destino que não pode ser violado impunemente.
2.2 Teologia pública e ecologia integral
A teologia pública contemporânea, especialmente em diálogo com o magistério de Francisco, com a teologia da libertação e com o pensamento ecumênico, desenvolveu concepção de ecologia integral que transcende a "teologia da criação" tradicional. As principais ênfases dessa abordagem podem ser sistematizadas da seguinte forma.
A justiça climática aparece como dimensão central, na medida em que a crise climática não é problema técnico, mas questão de justiça: pobres e Sul Global sofrem desproporcionalmente os impactos ambientais. O cuidado da criação como bem comum emerge igualmente como ênfase relevante, considerando que a criação não é propriedade privada, mas dom comum a ser preservado para gerações presentes e futuras. A crítica ao antropocentrismo predatório configura-se como terceira ênfase, na qual o modelo de desenvolvimento baseado na exploração ilimitada dos recursos naturais configura-se como idolatria, seja do "deus mercado", seja da "ideologia do crescimento infinito". A espiritualidade ecológica constitui quarta ênfase, uma vez que a crise climática exige conversão espiritual: aprender a ver a criação como dom e não como recurso. Finalmente, as coalizões inter-religiosas aparecem como espaço privilegiado de diálogo inter-religioso, uma vez que todas as tradições religiosas possuem recursos para o cuidado da criação.
2.3 Tensões e desafios
A articulação entre teologia pública e ecologia integral enfrenta tensões específicas que merecem consideração detalhada.
A tensão entre escatologia e urgência configura-se como primeira dificuldade. Se o Reino vem de Deus no fim, por que agir com urgência? A teologia pública precisa manter a tensão entre a urgência da ação, considerando que a crise é presente, e a confiança escatológica, considerando que o futuro está nas mãos de Deus.
A tensão entre antropocentrismo e biocentrismo aparece como segundo desafio. A tradição cristã é acusada de antropocentrismo. A teologia pública precisa demonstrar que a centralidade do ser humano como imagem de Deus não é dominação, mas responsabilidade pelo outro, incluindo a criação não-humana.
A tensão entre ação individual e mudança estrutural constitui terceiro desafio. A teologia pública precisa equilibrar a conversão individual, expressa no testemunho pessoal, com a transformação das estruturas econômicas e políticas que geram a crise climática.
3. Pentecostalismo e Política no Brasil e no Global Sul
O pentecostalismo configura-se hoje como face majoritária do cristianismo global, com estimativa de 600 a 800 milhões de fiéis, concentrados no Sul Global, especialmente no Brasil, na África e na Ásia. Sua relação com a política desafia os modelos de teologia pública herdados de Pannenberg e de Max Stackhouse.
3.1 O pentecostalismo como fenômeno público
Diferentemente da teologia pública acadêmica, caracterizada por seu caráter elitista, racional e institucional, o pentecostalismo atua na esfera pública por meios distintos que merecem análise cuidadosa.
A ênfase na experiência e no testemunho implica que a presença pública é mais performática, manifestada em cultos em praças públicas, marchas e procissões, do que argumentativa no sentido racional-dialético. As redes de solidariedade e assistencialismo criadas pelo pentecostalismo substituem ou complementam o Estado em áreas periféricas, configurando-se como forma de inserção pública relevante. A liderança carismática implica que a política pentecostal tende ao personalismo, centrada em líderes que reivindicam autoridade espiritual. O crescimento numérico das igrejas pentecostais confere poder de voto às bancadas evangélicas, sendo que no Brasil a Frente Parlamentar Evangélica constitui fator político de primeira grandeza. Finalmente, o fenômeno apresenta ambivalência democrática, podendo tanto fortalecer a democracia mediante a participação de grupos anteriormente excluídos quanto ameaçá-la mediante a adesão a lideranças autoritárias e a rejeição do pluralismo.
3.2 O caso brasileiro: da "Teologia da Libertação" à "Bancada Evangélica"
O Brasil oferece caso paradigmático da transformação do campo religioso-político, cuja periodização pode ser assim delineada.
Nas décadas de 1960 a 1980, observou-se a hegemonia da Teologia da Libertação no campo progressista, com relação orgânica entre igrejas, especialmente católicas, e movimentos sociais. Nas décadas de 1990 a 2000, verificou-se o crescimento pentecostal e neopentecostal, com o surgimento da "bancada evangélica" no Congresso Nacional. Nas décadas de 2010 a 2020, consolidou-se a aliança entre setores pentecostais e conservadorismo político, com a emergência da "Teologia do Domínio" (dominionism) e o ativismo contra direitos LGBT, direitos reprodutivos, e a favor de pautas morais conservadoras.
As características da política pentecostal brasileira atual podem ser assim sistematizadas. O identitarismo religioso implica que a política é vista como extensão da guerra espiritual, de modo que adversários políticos são compreendidos como inimigos de Deus. As pautas morais concentram-se em questões de "costumes", como aborto, gênero e drogas, mais do que em políticas econômicas ou sociais. A conexão com o empresariado revela que setores pentecostais encontram-se fortemente conectados ao agronegócio, ao mercado financeiro e às indústrias culturais de televisão, rádio e mídias digitais. O autoritarismo manifesta-se no apoio a lideranças autoritárias, como Jair Bolsonaro, em nome da defesa da "família" e da "liberdade religiosa".
3.3 Desafios para a teologia pública
A teologia pública tradicional, formulada em contextos de cristianismo majoritário com forte separação entre Igreja e Estado, enfrenta desafios específicos diante do fenômeno pentecostal.
O primeiro desafio consiste em dialogar com um cristianismo que não opera na linguagem da razão pública. A teologia pública precisa aprender a falar com, e não apenas sobre, o pentecostalismo, reconhecendo sua experiência como locus teológico legítimo.
O segundo desafio reside em formar uma consciência pública pentecostal coerente com a fé e com o bem comum. A teologia pública precisa contribuir para a formação de lideranças pentecostais que compreendam a democracia, os direitos humanos e o Estado de direito como valores cristãos.
O terceiro desafio concerne à resistência à captura da fé pelo autoritarismo. A teologia pública precisa desenvolver uma teologia da resistência dentro do pentecostalismo, demonstrando que a fé cristã não se identifica com projetos políticos autoritários.
O quarto desafio refere-se ao diálogo com outras tradições religiosas sem perder a identidade. O pentecostalismo tende ao exclusivismo. A teologia pública precisa mostrar que a afirmação da identidade cristã não exige a negação do pluralismo.
3.4 Recursos pannenbergianos para o diálogo com o pentecostalismo
O legado de Pannenberg oferece elementos que podem subsidiar o diálogo com o pentecostalismo em quatro dimensões específicas.
A ressurreição como evento público verificável oferece base histórica que pode ancorar a experiência pentecostal do Espírito em evento público, evitando o subjetivismo. A Heilsgeschichte como história universal oferece hermenêutica que leva a história a sério, evitando o literalismo bíblico e a manipulação política das profecias. A distinção entre Reino e política permite criticar a tendência pentecostal de identificar o Reino de Deus com projetos políticos particulares, insistindo que o Reino transcende toda política e julga todas as políticas. Finalmente, a universalidade dos direitos humanos fundada na destinação escatológica oferece fundamentação teológica para os direitos humanos que vá além da mera "defesa da família", incluindo todos os seres humanos, inclusive aqueles com os quais não se concorda.
4. Teologia Pública em Contextos de Autoritarismo
O autoritarismo político configura-se como realidade crescente no mundo global, com exemplos na Hungria, na Polônia, na Turquia, no Brasil em certos períodos, na Rússia, entre outros. A teologia pública precisa responder a esse desafio, e aqui o legado de Pannenberg e o diálogo com a teologia da libertação revelam-se especialmente relevantes.
4.1 O autoritarismo como idolatria política
Para Pannenberg, o autoritarismo constitui forma de idolatria que viola o primeiro mandamento. Quando o Estado ou um líder reivindica lealdade absoluta, coloca-se no lugar de Deus. A ressurreição de Jesus é revelação de que nenhum poder terreno possui a última palavra sobre a vida humana.
Os elementos pannenbergianos para a resistência ao autoritarismo articulam-se da seguinte forma. A ressurreição como antecipação do futuro de Deus implica que nenhum poder terreno pode determinar o futuro humano, de modo que a esperança cristã é resistência contra a pretensão totalitária. Os direitos humanos fundados na destinação escatológica significam que o Estado não pode definir quem possui dignidade e quem não possui, uma vez que todos estão destinados à comunhão com Deus. A Igreja como espaço de liberdade deve ser espaço onde a verdade pode ser dita mesmo quando o Estado exige silêncio. Finalmente, a tensão e não identificação implica que a Igreja não deve se identificar com nenhum regime político, pois seu fundamento está além do Estado.
4.2 Lições da teologia da libertação
A teologia da libertação latino-americana, especialmente durante as ditaduras militares nas décadas de 1970 a 1980, desenvolveu teologia da resistência autoritária que complementa Pannenberg em quatro dimensões.
A opção pelos pobres implica que, em contextos autoritários, os pobres são os primeiros a sofrer, de modo que a Igreja deve estar com eles, não com o poder. A análise social desenvolveu instrumentos para analisar o autoritarismo como estrutura, não apenas como fenômeno individual. As comunidades eclesiais de base significam que a resistência ao autoritarismo não é individual, mas comunitária, tornando-se espaços de liberdade e solidariedade. Finalmente, os mártires como testemunho redescobriram a teologia do martírio: há momentos em que a fidelidade a Deus exige confronto com o poder, até a morte.
4.3 Desafios específicos para a teologia pública hoje
A teologia pública contemporânea enfrenta desafios específicos em contextos de autoritarismo que merecem reflexão cuidadosa.
O autoritarismo com aparência democrática configura-se como primeiro desafio. Hoje, o autoritarismo frequentemente não se apresenta como ditadura militar, mas como "democracia iliberal", com eleições, mas sem Estado de direito. Como a teologia pública responde a essa configuração política?
As igrejas capturadas pelo autoritarismo constituem segundo desafio. Em muitos países, setores majoritários das igrejas evangélicas e até católicas apoiaram lideranças autoritárias. Como a teologia pública pode fazer autocrítica sobre a cumplicidade religiosa com o autoritarismo?
A tensão entre testemunho profético e engajamento institucional aparece como terceiro desafio. Em contextos autoritários, a tensão entre Pannenberg, que enfatiza o testemunho crítico, e Stackhouse, que enfatiza o engajamento institucional, radicaliza-se. O engajamento institucional pode ser cooptado; o testemunho profético pode ser silenciado. Como equilibrar essas dimensões?
A Igreja como espaço de verdade configura-se como quarto desafio. Em contextos de "pós-verdade" e desinformação, a Igreja pode ser espaço onde a verdade é dita e testemunhada. Isso exige recuperação da dimensão pública da verdade, tema central em Pannenberg.
4.4 Um exemplo concreto: Brasil 2018-2022
O período recente no Brasil oferece caso paradigmático para a teologia pública em contexto autoritário, com três dimensões analíticas relevantes.
A cumplicidade religiosa manifestou-se quando setores majoritários do pentecostalismo apoiaram governo que fazia apologia da tortura, atacava a democracia e violava direitos humanos. A "bancada evangélica" foi um dos principais sustentáculos do governo.
A resistência minoritária operou mediante vozes proféticas dentro do protestantismo e do catolicismo que resistiram: a Campanha da Fraternidade de 2021 ("Fraternidade e Diálogo: Compromisso com a Paz"), declarações de setores do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), ação de organizações como a Diaconia e a Cáritas.
O desafio teológico permanece: como formar consciências que resistam à captura da fé pelo autoritarismo? Isso exige teologia pública que dialogue com a base, não apenas com a academia; que fale a linguagem do povo pentecostal, não apenas a linguagem da razão pública ilustrada; que fundamente a resistência teologicamente, não apenas politicamente.
5. Conclusão: Um Caminho para a Teologia Pública Hoje
Ao final deste percurso, esboça-se caminho possível para a teologia pública contemporânea, que integre as lições de Pannenberg, o diálogo com a teologia pública institucional, as contribuições da teologia da libertação e os desafios do pentecostalismo global, da crise climática e do autoritarismo.
5.1 Sete teses para uma teologia pública contemporânea
Propõem-se sete teses que sintetizam as conclusões deste estudo.
A teologia pública é escatológica, não ideológica. A ressurreição de Jesus antecipa o Reino de Deus, que transcende e julga todas as políticas humanas. A teologia pública não se identifica com nenhum projeto político, mas testemunha o futuro de Deus.
A teologia pública é testemunhal, não impositiva. A fé cristã não pode ser imposta pela coerção. Oferece-se como dom, em diálogo com outros atores sociais e tradições religiosas.
A teologia pública é institucional, não privatista. A fé cristã não se reduz à consciência individual. Encarna-se em instituições — igrejas, escolas, hospitais, organizações sociais — que possuem papel público.
A teologia pública é encarnada, não abstrata. Parte das realidades concretas de sofrimento e opressão, especialmente dos pobres e marginalizados. A "opção pelos pobres" é critério teológico fundamental.
A teologia pública é ecológica, não antropocêntrica. A criação possui dignidade escatológica. O cuidado com a terra e com as gerações futuras é parte do testemunho cristão.
A teologia pública é dialógica, não monológica. Aprende com outras tradições religiosas e com saberes seculares — ciência, economia, direito. A humildade epistemológica é virtude teológica.
A teologia pública é resistente, não acomodada. Em contextos de autoritarismo, deve ter coragem de dizer a verdade ao poder, mesmo sob risco de perseguição.
5.2 O legado de Pannenberg para o futuro
Pannenberg legou a convicção de que a fé cristã não pode ser privada. O Deus da ressurreição é o Deus de todos, e o futuro que prometeu é o futuro de toda a criação. Essa convicção permanece fundamental.
Também legou uma tensão que não pode ser facilmente resolvida: a tensão entre a transcendência escatológica, considerando que o Reino vem de Deus e não é obra humana, e a responsabilidade histórica, considerando que somos chamados a antecipar o Reino em nossas ações. Essa tensão não é problema a ser resolvido, mas campo de fidelidade a ser habitado.
5.3 Questão final
A teologia pública hoje enfrenta questão que perpassa todos os temas explorados: como ser fiel à verdade da fé e, ao mesmo tempo, relevante para o bem comum em um mundo plural, desigual, em crise climática e marcado pelo autoritarismo?
Não há resposta única. Mas o percurso realizado — de Pannenberg à teologia pública, da Alemanha à América Latina, da academia à base pentecostal — sugere que a resposta não virá de único teólogo ou corrente, mas de movimento que integre a profundidade teológica de Pannenberg, a responsabilidade institucional de Stackhouse, a solidariedade com os pobres da teologia da libertação, a experiência pentecostal como fonte teológica legítima, a urgência ecológica como questão de fé e justiça, e a coragem profética para resistir ao autoritarismo.
Se essa integração é possível, exigirá teologia pública que seja ao mesmo tempo erudita e popular, profética e institucional, escatológica e encarnada.
Referências
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