É importante observar que o termo aramaico Khephas (כיפא) possui uma amplitude semântica que abrange tanto a noção de "pedra" (no sentido de fragmento menor e solto) quanto a de "rocha" (no sentido de formação geológica maior e firme), sendo a determinação de seu significado preciso dependente do contexto de uso. Todavia, do ponto de vista técnico e comparativo, algumas considerações adicionais se fazem necessárias.
Em primeiro lugar, convém notar que a língua aramaica não possui uma distinção lexical equivalente àquela presente no grego koiné, onde se observa a diferenciação entre pétros (πέτρος), que designa uma pedra de menor porte, e pétra (πέτρα), que refere-se a uma rocha de dimensões maiores e maior estabilidade. No aramaico, a mesma palavra Kepha serve para expressar ambos os conceitos, o que implica uma identidade terminológica entre o nome conferido a Simão e a metáfora empregada por Jesus.
Dessa forma, quando o Senhor declarou em aramaico: "Tu és Kepha, e sobre esta kepha edificarei a minha igreja", a repetição do mesmo termo em ambas as instâncias do enunciado torna evidente que a identidade entre o apóstolo e a rocha fundamental é total e inerente ao próprio jogo linguístico do texto original. A distinção observável entre Petros e petra constitui, portanto, uma particularidade da versão grega do Evangelho de Mateus, na qual o evangelista adaptou o nome próprio ao gênero masculino (Petros), enquanto manteve o substantivo comum no feminino (petra), respeitando as regras gramaticais da língua helênica. No entanto, tal diferenciação não reflete a estrutura linguística do enunciado aramaico, onde a identidade onomástica e metafórica permanece intacta, reforçando a solidez da interpretação que reconhece em Simão-Pedro a própria fundação da Igreja.
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