Violência em comunidade do subúrbio do Rio de Janeiro. Porque também nao refletir sobre a violência que ocasionou a matança, por parte dos príncipes alemães, contra os camponeses liderados por Thomas Müntzer?
Eu estava propenso a escrever algo sobre o dia de hoje, 31/10/2025. É o dia de celebrar a Reforma Protestante. Sinceramente, hoje tenho um certo cuidado ao me apresentar como Protestante. Não que esteja pensando em me bandear para o outro lado como alguns que tem feito e aparecido na mídia testemunhando que conheceram a verdadeira igreja e estão retornando para ela. Não, não é este o caso, pois estou tentando pegar carona pela contramão da história. Geralmente a contra mão da historia é o lado da tortura, do massacre e do genocidio. E esse tipo de crime contra a humanidade tem se tornado cada vez mais numa banalidade ao ser perpetrado pelos carrascos que agem a servico dos mais poderosos(O regime ditatorial da Alemanha nazista também foi assim). Parece que para aqueles como eu, que moramos no Rio de Janeiro, temos a percepção de que Gaza fica bem pertinho daqui. É logo ali. Porque, afinal de contas, fiz menção da Reforma? Paralela a historiografia oficial da Reforma, também houve massacre, uma carnificina patrocinada pelos príncipes alemães e com o aval de Lutero. Curiosamente a bancada dos evangélicos, que se dizem herdeiros da tradição dos reformadores tem dado um forte apoio aos agentes da segurança pública do estado do Rio de Janeiro que patrocinaram essa chacina. Lá, na Alemanha de Lutero, houve uma revolta camponesa que foi esmagada na Batalha de Frankenhausen (15 de maio de 1525). As forças dos príncipes, muito melhor equipadas e treinadas, massacraram o exército de camponeses, que era mal organizado e armado. Camponeses recém saidos de um sistema de exploração agrária. Müntzer foi capturado, torturado e forçado a assinar uma "retratação". Posteriormente, foi decapitado fora dos muros de Mühlhausen, a 27 de maio de 1525. Aqui, Brasil, Rio de Janeiro, sao 500 anos que separam os referidos massacres. Os camponeses da Alemanha de Lutero entraram para a história como se fosse um efeito colateral. Ainda assim se eternizou a figura icônica de um certo Thomas Müntzer. Já a história deste massacre no Rio de Janeiro, corre sério risco, se não for feita uma apuração justa e rigorosa, de fazer parte, no máximo, dos gráficos estatísticos que medem a violência. A revolta dos camponeses com o aval de Lutero produziu um Mártir, Thomas Müntzer. Aqui não tem Mártir, como as próprias autoridades afirmaram eram delinquentes que reagiram com armas de fogo à presença do estado representado pela polícia. Prevalece aquela máxima muito presente como retórica de esquadrões da morte: "Bandido bom é bandido morto."
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