Resenha Crítica:


RATZINGER, Joseph & D'ARCAIS, Paolo Flores. Deus existe?
        Trad. Sandra M. Dolinsk, São Paulo, Editora Planeta. 2009





Por

Aloizio José dos Santos





     INTRODUÇÃO


     A discussão de um tema como este que trata da questão da existência de Deus ou não, já não traz em si tantos atrativos. A não ser que seja uma discussão ou debate protagonizada por um cardeal ou príncipe da Igreja Católica Romana e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Antigo tribunal do Santo Ofício, de histórias memoráveis e controvertidas ao longo de sua existência. E um debatedor a altura desse status principesco de um cardeal.

     Qualquer outra informação quanto a qualidade e capacidade acadêmica de ambos os debatedores pode ser melhor suprida na aba desta obra. A obra em si resume-se a transcrição integral e publicação em texto de um debate realizado no teatro Quirino em Roma, em 21 de Fevereiro de 2001. E posteriormente foi publicada em um caderno especial da Revista MicroMega. Na França foi publicada pela editora Payot & Rivage, e na Alemanha pela Wagenbach.


     Vale ressaltar um aspecto muito positivo em sua tradução, onde a tradutora manteve o clima de debate e expressividade típicos de um encontro para se discutir ideias, porém, com o sentido de oralidade neste ambientes. Com isso, o evento se notabilizou não somente devido a capacidade intelectual e acadêmica dos seus debatedores, bem como pela capacidade argumentativa e expressiva dos mesmos diante de um público. A tradução buscou preservar isto e creio que alcançou este objetivo.

     Entram na composição também desta obra em Português o acréscimo de dois textos respectivamente de ambos os debatedores. Sendo assim a estrutura e organização da obra ocorreu da seguinte maneira e obedecendo a sequência que segue: A PRETENSÃO DA VERDADE POSTA EM DÚVIDA, que aborda a crise do cristianismo no início do terceiro milênio, por: RATZINGER, Joseph. Depois o debate mediado por Gad Lerner abordando o tema: DEUS EXISTE? E, num terceiro momento o texto ATEÍSMO E VERDADE, de autoria de D'ARCAIS, Paolo Flores.

     Em "A PRETENSÃO DA VERDADE POSTA EM DÚVIDA", Ratzinger desenvolve sua abordagem desde uma perspectiva de crise em que se encontra o cristianismo_ Europeu, e aponta que essa crise é decorrente de sua pretensão de verdade. Por outro lado, é partir dessa pretensão de verdade que se alimentou historicamente o ceticismo, segundo ele, em sua totalidade. E indica a equivalência de teorias científicas com algumas das principais doutrinas religiosas. O exemplo mais emblemático é a Teoria da Evolução se rivalizando com a Doutrina da Criação e etc.

     O texto também nos remete a alguns eventos de natureza histórica e filosófica tendo sempre como nascedouro de tudo isso o ambiente europeu. A sua origem e formação católica e romana está muito presente nesta análise não por se debruçar sobre uma temática bastante atual, porém por se manter fiel à visão tomista e aristotélica ao reler com o intuito de proporcionar uma nova roupagem à polaridade Deus_Natureza. O que naturalmente o faz apontando os motivos pelos quais do ponto de vista de uma racionalidade, ou racionalismo, existe a separação entre a Física e a Metafísica.

     O debate propriamente dito foi gratificante por coroar o encontro de duas vertentes antagônicas: Uma de matriz religiosa e outra de uma entre as várias e multifacetadas matrizes ateísta. Mas a coroação deste encontro ocorreu pela forma magistral com que foi conduzido. O mediador, Gad Lerner, não perdeu a oportunidade ao fazer o registro de sua participação indicando sua origem judaica e, num tom irônico, atribuindo a inconveniência do título do debate devido a brutalidade da pergunta proposta. E que por isso mesmo, aquele debate se assemelhava mais a certas disputas medievais.

     Toda a dinâmica do debate gira em torno do que o mediador estabeleceu do ponto de vista de uma polaridade entre Cristão-Ateu, ou Crente-Não Crente. E do que ambos podem ter em comum. O que não existe de comum é o fato de que, segundo o ateu(Paolo Flores), a relação é assimétrica, já que o crente está interessado na conversão do não crente, enquanto que o ateu não está nem um poco interessado que o crente perca a sua fé. 

     E com o propósito de esclarecer com maior clareza o sentido e os desdobramentos do significado da palavra ateu, Paolo Flores dá exemplos da intensidade com que o ateu desfruta de sua existência. Tudo gira em trono de uma existência aqui e agora. E é com base na existência que tudo toma forma para o ateu. Flores, também avoca o discurso de tolerância desde que seja recuperada a fé das primeiras gerações cristãs, pois identifica com elas uma peculiaridade desprovida de racionalidade. 

     Paolo Flores, neste caso, faz referência tanto a São Paulo quanto a Tertuliano, ícones de uma fé que é escândalo para a razão. E por conta disso, não tem nenhum tipo de característica impositiva tal como se apresenta o arcabouço de construção católica e a sua pretensão em ser a culminância do que é característico no homem e na razão. E para tanto  a fé a que Paolo Flores faz referência usou de todos os instrumentos de persuasão com o objetivo da conversão, inclusive o braço secular do Estado. 

     Já o cardeal Ratzinger que, por sua inegável e profunda formação intelectual, acadêmica e religiosa, não se preocupa com uma refutação do argumento de Paolo Flores sobre sobre onde, como, ou a partir de que circunstâncias pode acontecer algum acordo no tocante a tolerância entre crente e não crentes. Mas se apropria do discurso de absurdidade da fé utilizado por Flores para acrescentar a esta mesma leitura a passagem que relata o episódio de São Paulo no Areópago de Atenas. 

     É entendimento de Ratzinger que nesta passagem da Bíblia, o apóstolo mostra-se familiarizado com os filósofos e até faz citação de alguns deles. E vê na mesma o início do que historicamente se constituiu numa ponte de transição entre a fé e a razão. Para ele isso foi tão real, significativo e emblemático que, a rigor, não se pode mais distinguir o que seja a fé cristã e a filosofia onde o ápice de amalgamento deste evento ocorre de forma expressiva por meio do racionalismo.

     Em "ATEÍSMO E VERDADE" que, diga-se de passagem, é um texto que desenvolve uma leitura brilhante. Paolo Flores, desde uma perspectiva compartilhada por todos a partir de um horizonte tipicamente europeu, observa no transcurso do desenvolvimento histórico da fé católica a construção e pretensão de ser a única detentora da verdade. Para tanto reduziu o conceito de verdade à verdade revelada e se auto proclamou herdeira dessa tradição sob os auspícios de seu Magistério.

     Este tipo de funcionalidade desde uma perspectiva da fé que Flores analisa  com tom de denúncia uma vez que a partir desses conteúdos de fé que segundo ele, ELUDE o tema da verdade. É então na hermenêutica que se aflora a partir dos conteúdos da fé o sentido que se possa dar. Em outras palavras é a forma não argumentativa de se relacionar com a verdade.

     Há também na contra partida uma severa crítica ao que ele chama de um ateísmo não representativo, ou uma fé de sinal contrário. Já que não representa aquele ateísmo que se concentra na crítica das pretensões de verdades representado por Kant e outros pensadores. O que o texto faz e de uma maneira brilhante é estabelecer no horizonte histórico e europeu a existência de duas tradições. Uma delas é a católica e a outra é a tradição cética e ateia.

     Como já foi dito no início desta resenha se não fosse a participação destas figuras antagônicas, emblemáticas e representativas dessas duas tradições: A católica e ateia. Talvez o livro não fosse tão interessante por abordar uma temática muito massificada neste início de milênio. O que é mais notável ainda é o fato de que ao dialogarem expõem suas posições contrárias, porem trilhando um caminho comum. Portanto se espelham neste terreno comum a ambos que é tanto a fé católica quanto a tradição humanista.

     A obra é muito agradabilíssima e tem uma leitura palatável. Ela, inclusive, deveria servir como um livro texto de iniciação para nós que não somos de origem e formação europeia. De certa forma, o que fica patente, principalmente nas intervenções de Paolo Flores é que qualquer indivíduo com uma formação básica no pensamento europeu é capaz de ler a escritura sagrada, livro texto dos cristãos, independentemente de sua confissão de fé ou não.

    Recomendo esta leitura não apenas por todos os contra pontos e que são muito representativos, como também pelos paradoxos que podem sim ser detectados. Quando são paradoxos, impreterivelmente eles também apontam alguns elementos comuns por onde também podem ser construídos determinados diálogos. Fica então a recomendação e boa leitura.







       
     

     

     

      











BÍBLIA VERSOS CIÊNCIA?



HEBREUS - 11:1 - 3







Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.


Existe algum tipo de compatibilidade entre a Bíblia e o conceito ou conceitos que temos construído sobre a ciência ou ciências nesses tempos de pós-modernidade?






INTRODUÇÃO



     Eu gostaria de demonstrar toda a minha imparcialidade para desenvolver este assunto que ao longo desses dois últimos séculos cada vez mais gerou polêmicas. Entretanto, o meu medo em me tornar parcial se justifica muito mais devido às minhas limitações. Haja vista que não sou um homem de ciências, mas sim de letras, de literatura. Alguém muito mais habituado a lidar com as palavras, ou como alguns que me conhecem e compartilham da mesma fé e esperança, um ministro da palavra.

     Por outro lado é meu desejo desenvolver este assunto do ponto de vista de uma ação de caráter propedêutico no sentido de que a proposição que quero desenvolver seja capaz de  ordenar e, porque não dizer, disseminar elementos que possam se constituir nos prolegômenos de alguma disciplina científica que alguns dos meus leitores possam construir futuramente. Se este objetivo será alcançado somente o tempo poderá testemunhar. Porém sou suficientemente otimista de que em qualquer situação futura desde que a semente seja lançada, algum fruto objetivamente falando haverá de ser colhido.

     Eu também gostaria de esclarecer que o teor e desenvolvimento deste tema da forma como me foi proposta. E, neste caso, a sinceridade de minha parte é fator sine qua non já que não tenho tanta certeza se esta proposição temática deve ou não ser conduzida na base de uma polaridade entre a Bíblia e a cultura humana onde se instalou os acervos do conhecimento do homem, bem como suas ciências ou ciência. Do ponto de vista doutrinário, a Bíblia é um livro de caráter religioso e inspirador de deliberações dogmáticas decorrentes de hermenêuticas construídas ao longo de sua história enquanto processo de constituição do cânon e posteriormente a este processo.

     As respectivas leituras hermenêuticas construídas entre as muitas gerações que até hoje a utilizam como parâmetro da Revelação e das construções éticas e morais do homem. São capazes de concentrar nela e fazer dela o elemento norteador do que comumente conhecemos como princípios da religião cristã. Essa cultura religiosa consagrada pelos princípios chancelados pela escritura(Bíblia), evidentemente que teve seu desenvolvimento por intermédio de uma catequese que se espalhou por todo o mundo ocidental.

     A expansão cristã é um fenômeno que desde o seu início esteve atrelado a palavra, e esta como instrumento de leitura do mundo, mas que obedece também a uma dinâmica de construção e reconstrução deste mesmo mundo. Consequentemente em algum momento seria mais do que natural e provável que enfrentaríamos situações como as que se nos apresentam e que atualmente têm sido entendida e recebida hermeneuticamente na forma dos muitos relativismos. Este estado de coisas é resultante do espírito de inquietação do homem e de sua natureza tanto física quanto espiritual, mas com aptidão e propensão ao transcendental.

     De certa forma e, grosso modo, tenho traçado a linha de desenvolvimento histórico por onde devo conduzir este tipo de abordagem. Pode ser que ao final deste texto tenhamos traçado e com grande sucesso o pano de fundo de onde nos encontramos atualmente. E quando passo a fazer afirmações como esta sobre como e onde nos encontramos, a referência está diretamente relacionada ao contexto sócio-histórico-cultural latino americano. E mais especificamente à periferia do Rio de Janeiro. É evidente que seja lá onde estejamos, a abordagem de tais temas que por mais relevantes que sejam não pode perder de vista o dimensionamento sócio cultural onde estamos inseridos.

     Se isto é efetivamente da forma como foi colocado pelo parágrafo anterior. Não resta dúvida de que também a opção teológica aqui adotada é uma forma de se dialogar com a cultura. E dizer que se tenta dialogar com a cultura é também uma forma de se construir uma espécie de atrito com o princípio protestante de que a revelação apenas acontece no âmbito da fé e com a chancela da própria Palavra de Deus(Bíblia). É o que chamamos de Analogia Fidei. Sem este diálogo com a cultura, a meu ver seria como se vestíssemos uma camisa de forças. É não é exatamente isto que procuramos, pelo contrário, o que se busca e que deve se resumir apenas numa frase: Buscamos novas forma de intermediação.

     Outro fator que impreterivelmente é nosso grande quebra cabeça, é o fato de que seremos ou não capazes de introduzir uma nova nomenclatura que represente com fidelidade todo este arcabouço histórico. Ou ao final seremos obrigados a reconhecer que a decisão mais sensata é nos apropriarmos e mantermos todo este arcabouço histórico e porque não dizer teológico já estabelecido ao longo de séculos, sem que sobre ele façamos ou teçamos qualquer tipo crítica. Para tanto o esforço de reconstrução também é suficientemente hercúleo. De certa forma este tipo de experimentação que fosse capaz de traduzir todo tipo de tradição religiosa para uma situação mais real e contemporânea foi feita, porém sob severo tiroteio(Teologia da Libertação), claro que tudo isto do ponto de vista de um contexto eminentemente latino americano.

     Recapitulando um pouco nossa situação, entender a questão bíblica e escriturística do ponto de vista da ciência demanda uma perspectiva sócio-histórica-cultural. Isto significa que é imprescindível uma leitura honesta, sincera e humilde de cada tempo. E, acima de tudo, não perdendo o foco de que mexemos com princípios religiosos que representam a condição de milhões de pessoas e que a partir das mesmas são avocadas situações de que estes mesmos têm encontrado, desde a revelação, o Deus vivo e misericordioso que fez de cada um de nós, seres humanos, bem como de toda a criação o objeto do seu amor e de sua misericórdia.

     Até aqui toda a tentativa utilizada na construção deste texto tem sido norteada com o objetivo a luz de perspectivas históricas de se identificar as metodologias ou a metodologia fundamental por onde se baseou a fé cristã no processo de estabelecimento de seus princípios e na formulação da cultura ocidental. E a Bíblia independente de sua condição de livro-texto de religião de uma boa parcela da humanidade. Especialmente daqueles que fazem parte e vivem do lado ocidental da Europa, contribuiu muito para a definição e estabelecimento da cultura religiosa e cristã no ocidente.

     A minha opção em começar a abordagem deste tema primeiramente falando da Bíblia e sua questão escriturística foi dada como justificativa de minha formação na literatura. Porém, de que modo devo proceder agora ao tocar nessa temática do ponto de vista da ciência? Talvez pra que a abordagem siga, ainda que de uma forma paulatina e progressiva, levando em conta que algumas situações ao serem abordadas consequentemente trazem consigo o atrelamento de outras situações, e, neste caso, a própria perspectiva histórica aqui utilizada foi capaz de lançar mão de uma ciência muito antiga, ou tão antiga quanto a construção e estabelecimento do conceito de palavra de Deus. 

     Entretanto, e a despeito de estarmos falando de uma abordagem com situações temáticas bastante atuais, é improvável e quase inexequível que nos limitemos a situações de um tempo muito próximo de nós. Temos então que buscar alguns fundamentos nos acervos que o próprio homem foi capaz de construir desde o mundo antigo. E ao mesmo tempo também corremos o risco de incorrermos em certos anacronismos. O conceito de história aqui utilizado busca fazer e recuperar ao aludir ao conceito grego o sentido primeiro que lhe foi conferido: HISTÓRIA _ ἱστορία, e que literalmente significa pesquisa. Ou seja, é toda pesquisa ou levantamento que se faz a cerca do homem e nos seus diferentes períodos de desenvolvimento através dos tempos.


     Recuperar o significado primeiro de HISTÓRIA no sentido dado pelo espírito grego é também demonstrar que essa tendência humana em levantar dados com objetivo de coletar informações e a partir das mesmas construir conhecimentos não é e nunca foi uma prerrogativa da modernidade. Um dos exemplos que marcam enfaticamente a veracidade dessa afirmação são as bibliotecas que se construíram e eram famosas já na antiguidade. Esses locais foram a seu tempo exímios detentores e guardiães do saber humano. Eles ainda cumprem com esta função, muito embora tenham que dividir essa função honrosa com outros instrumentos ou ferramentas dos mais variados para se custodiar a produção do saber filosófico, científico e cultural humano.  

     E por falar e enaltecer as bibliotecas que se espalharam pelo mudo, não custa nada atribuirmos de igual modo e importância o que a BÍBLIA é também quando o assunto é a custódia do saber humano. Ela na qualidade de uma biblioteca e esta afirmação acaba tornando-se uma redundância na acepção da palavra, já que o termo BIBLÍA _ Um nominativo neutro grego que está no plural e na forma de diminutivo_ Livrinhos, também é um acervo de registros onde são passíveis de informação desde que haja um levantamento para tanto dos elementos culturais, sociais e religiosos, obviamente. Em variados locais e épocas desde o oriente do mundo antigo até o ocidente sob a dominação romana.

     É evidente que as ciências que foram utilizadas em sua análise estão elencadas desde a manuscritologia, ou baixa crítica até a crítica textual, ou alta crítica. Com isso, impreterivelmente alguns tabus travestidos de uma aura dogmática tiveram que ser quebrados. E muito embora ela tenha passado por severos ataques desde que para tanto se tornou o livro texto de um segmento importante tanto da cultura quanto da religião de uma parcela considerável da população mundial. Ela tem sobrevivido e se tornado um elemento primordial para a edificação de vidas daqueles que não somente a vêem como um livro de religião, mas acima de tudo como Palavra de Deus.

     Uma das qualidades para que alguém faça ciência ou construa conhecimento é a capacidade de levantar questionamentos e a consequente escolha de metodologias que sejam passíveis de utilização para que estas questões possam ser conduzidas para o objetivo a que o pesquisador se propôs. E a Bíblia do ponto de vista das ações investigativas que para ela foram e têm sido direcionadas, tem se saído muito bem, já que ela não perdeu sua credibilidade. Todavia,  o foco deste texto não necessariamente é este. Já que ele parte da premissa de um livro com conteúdo religioso suficientemente aceito pelos fiéis que vêem nele um livro de pura revelação divina e nada mais.

     Todavia, a mudança de foco, neste caso, não é meramente uma mudança metodológica. Neste caso tem que estar presente uma perspectiva histórica de evolução do pensamento humano. E consequentemente a introdução de metodologias que repercutem alterações drásticas de parâmetros de análises científicas relacionadas à modernidade. E ao se fazer referência à modernidade não se pode omitir o seu caráter de experimental_ Tudo gira em torno daquele processo comumente conhecido como EMPEIRIA. Ou seja, a simples afirmação de caráter dogmático tendo por base algum princípio escriturístico, já não é mais encarado como uma verdade absoluta se na confrontação de dados científicos e atualizados as coisas tendem tomar uma direção oposta: Vide Doutrina da Criação x Teoria da Evolução; Doutrina do Pecado Original x Conhecimentos adquiridos com uma vasta base de dados a cerca do origem do homem.

     No terceiro parágrafo desta introdução fui capaz de falar sobre minhas incertezas quanto ao desenvolvimento deste texto na base de uma polaridade entre a Bíblia e a cultura humana onde está radicada também toda a construção social, histórica, cultural e porque não dizer científica do homem. E querendo ou não, essa polaridade ou polaridades mais cedo ou mais tarde sempre aparecem. Pois, de um lado, está a Bíblia e de outro a proposição de uma nova percepção e apropriação do saber. E a questão nevrálgica diz respeito às competências de cada lado quanto a apropriação da verdade. Que é o que nos espera no transcurso e desenvolvimento deste texto introdutório.





I - O CONCEITO DE RAZÃO DO PONTO DE VISTA DAQUELE QUE TEM COMPETÊNCIA PARA RACIOCINAR E RACIONALIZAR.


     Ter competência para racionalizar, ou raciocinar subtende que seja alguém com a capacidade abarcadora de leitura do mundo. somente um ser é capaz de fazer isto no mundo. Isto é, o homem. Logo, tanto a natureza do conhecimento e a forma como ele se origina no mundo exibe um DNA antropológico. Toda e qualquer afirmação neste sentido e que leva em consideração elementos de natureza epistemológica jamais deixarão de ter tanto uma base antropológica quanto ontológica, pois é o homem que está tanto na condição do apreender e racionalizar os elementos de sua apreensão que historicamente resultarão na produção de conteúdos. 

     De uma maneira esclarecedora definir o conceito de razão torna-se uma obrigação para melhor entendimento do campo onde estamos transitando. E filosoficamente falando deveríamos buscar da melhor forma essa qualidade dócil do pensar filosófico. E realmente se busca essa qualidade, mas jamais pensando que quem pode ter acesso a esse tipo de docilidade seja alguém não muito habituado ao que chamamos de vocabulário ou nomenclatura filosófica básica. E não há muito o que fazer neste caso, se não contarmos com o espírito de benevolência de quem se expressa por meio desses pressupostos.

     Novamente quero retomar aquela questão sobre a polaridade entre Bíblia/Ciência e a luz de um conceito como razão ontológica enquanto conteúdo historicamente demarcado pela tradição clássica que remonta de Parmênides até Hegel. E, que por força do discurso e retórica teológica, tem prevalecido até então, muito embora o ônus desta perseverança o tenha relegado ao ocaso de um enquadramento simbólico.  A despeito deste enquadramento que eu diria ser uma forma um tanto quanto eufemística de tratar esta razão do período clássico, o resultado final é a certeza de que desta maneira os seus críticos a tratam como ineficaz e improdutiva.

     Como tudo aqui pode ter uma tendência para o lado experimental, até mesmo a produção deste texto entra por este caminho. E me pergunto se seria o caso de utilizarmos uma metáfora como a da lente microscópica que dependendo de sua potência é cada vez mais capaz de ver coisas que os nossos olhos nus, a nossa visão natural jamais alcança? Talvez fosse o caso de nos perguntarmos com que tipo de lente estamos trabalhando, ou não estamos utilizando nenhuma delas? Elas são instrumentos de verificação, mas quem faz uso das mesmas precisa ter também uma capacidade investigativa, crítica e ao mesmo tempo saber o que afinal de contas procura.

     Desde a perspectiva bíblica e escriturística e tomando por base a metáfora da lente microscópica, impreterivelmente aquele princípio reformador me salta a memória: Scriptura sui ipsius interpres. Evidentemente que o valor dogmático, histórico e, acima de tudo, emblemático desta afirmação estão presentes aqui. Mas foi e continua sendo até hoje em boa parte dos segmentos cristãos espalhados por este mundo a fora um princípio norteador e uma forma de lente com que se vê e se analisa tudo na vida. Já que também vem acompanhada com declarações corolárias tais como: "A Bíblia é a única regra de fé e prática."

     O fato de que a Bíblia desde o mundo acadêmico tenha sido relegada ao grupo de textos religiosos e portanto e decisivamente encarada como texto de natureza simbólica e mítica, começando primeiro desde o início da crítica textual e exegética no interior de nossas trincheiras. Porém, espalhando-se por todos os centros acadêmicos leigos ou não. É resultado imediato de que foi submetida ao crivo de um comportamento embrionário, porém, com todas as características de um cientista moderno onde todo tipo de afirmação tem que estar sustentada por uma base de dados levantados e efetivamente por seguidas testagens e observações críticas e minuciosas. Constitui-se emblematicamente, se é que se pode falar dessa maneira, em sua derrocada e destituição de seu status e tem como consequência o processo de racionalização a que foi submetida e que a relegou ao simbólico mítico e inusitado.

     Portanto, a ascensão do empirismo que é um marco ou ápice da idade moderna, pelo menos na visão daqueles que compartilham desse movimento filosófico, decreta de um vez por todas no interior dos centros acadêmicos o banimento das escrituras sagradas como fonte inesgotável de conhecimento, assim como aqueles que se diziam seus reais intérpretes, os detentores da verdade por ela difundida, ou sequer como fonte de conhecimento. Subjaz a esta situação também uma querela que demarcará o contraste entre o que é o empirismo e o racionalismo. Uma vez que, este último ainda produzirá enquanto ferramenta filosófica um processo de racionalização para divulgação da Bíblia enquanto escritura sagrada durante as muitas missões que surgirão neste período da idade moderna. 

     Pois bem, foi devido ao que aconteceu no advento do movimento criado por um grupo de pensadores e que mais tarde ficou tão somente conhecido como empirismo inglês é que ocorreu a desvinculação da razão técnica do escopo maior que a abarcou durante muito tempo, a razão ontológica. A esse processo ao qual também se aduziu as grandes transformações sociais, culturais e políticas se cunhou chamar de modernidade. Já que uma espécie de grito de liberdade do homem e a emancipação de uma razão autônoma sem que estivesse atrelada a preceitos de natureza clássica, medieval e por que não dizer teológica.

     O grande método que por excelência foi consagrado  e celebrado nesta época é o método por indução e que se contrapôs ao dedutivo e toda a tradição medieval e nominalista que este trazia consigo. Na indução o raciocínio parte de observações e fatos particulares para daí se tirarem as conclusões. De uma maneira geral, o pensamento iluminista e o empirista acreditavam que o verdadeiro conhecimento estava na experiência através dos sentidos e viam tanto na razão quanto na ciência a verdadeira forma de se conhecer o mundo e consequentemente de se relacionar com ele.

     Esta é também uma época que marca o desmoronamento das estruturas institucionais como a Igreja Católica e as monarquias absolutistas tais como a francesa que ruiu dando início à Revolução Francesa, assim como o florescimento dos estados modernos, democráticos e humanistas. Inspirados nos direitos igualitários para todos os seus cidadãos. Somente a título de informação para concluir este tópico. É importante esclarecer que as mudanças sociais e políticas na Europa desde o século XVI. Primeiramente impulsionadas pelo movimento da Reforma, somente obtiveram uma mudança mais eficaz através desses movimentos humanistas e com a mudança radical da base filosófica ainda inspirada nos pensadores clássicos da antiguidade.





II - O QUE A BÍBLIA ENQUANTO PALAVRA DE DEUS TEM A NOS DIZER SOBRE ISTO?


     Não foi sem propósito que utilizei e afixei lá no topo deste texto os versos 1, 2, e 3 do capítulo 11 da epístola aos hebreus. Todo o capítulo 11 e não somente estes três versos, tende a responder algumas questões que já nesta época do cristianismo eram colocadas aos crentes como desafios a serem superados. No tópico anterior me vali da metáfora da lente microscópica para vermos o que de fato tem acontecido a nosso redor. Com isso adquirimos uma capacidade melhor de leitura do mundo. Empreendemos sentido às nossas vidas e, acima de tudo, nos aproximamos de Deus. E ainda costumo dizer que recebemos como um bônus muita sabedoria e entendimento das coisas. 

     Exatamente e, por conta desta metáfora da lente, me atrevo a fazer uma afirmação de cunho dogmático dizendo que a FÉ é nossa lente. E é instrumentalizado por ela que pavimentamos os nossos caminhos, inclusive aquele que nos aproxima, nos conduzindo na direção da presença de Deus. Dá pra se notar que se, num primeiro momento, estávamos aludindo a alguns pensamentos de natureza histórica e filosófica e de como as sociedades do tipo ocidental foram construídas com base em hermenêuticas baseadas em preceitos cristãos, paulatina e simultaneamente ao longo de séculos, se construiu também uma fé de caráter institucional. E não é este tipo de fé que neste tópico me proponho a abordar.

      Esta afirmação está carregada de subjetividade. Mas se tivesse, a luz de minha experiência e vida cristã,  que definir o que significa fé para mim, eu diria que fé é a ferramenta eficaz que me coloca diante e na presença de Deus sem que com isso eu venha sofrer algum "DANO". Notem que é minha intenção destacar a palavra dano, pois não há em minha experiência religiosa como aludir ao ser de Deus e não pensar que sou trazido a juízo. Por outro lado, eu não tenho que me sentir como no caso do profeta Isaías e isto apenas acontece por causa da fé. Todos nós lembramos do que acontece ao profeta no capítulo 6 de seu livro, ele diz diz ter visto o Senhor. E esta visão foi suficiente para que o pânico e o desespero tomasse conta do seu ser: "Ai de mim! Pois estou perdido(...); os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos." (Isaías 6:5). 

     Se tomarmos toda esta epístola aos Hebreus como exemplo, nos deparamos com uma narrativa que se apropria de todos os movimentos no tempo e no espaço, e isto significa o uso da memória histórica por parte do autor, para constatar que o mundo, ou todo este teatro de coisas que entendemos por mundo, ou criação. E a partir desta magistral síntese, o autor enfatiza que o agir de Deus, sua manifestação, sua revelação aconteceu: "(...) Muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas(...)" (Hebreus 1:1). A mentalidade histórica deste autor se revela até mesmo da forma como esse agir de Deus acontece na história de seu povo. Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras no passado, mas agora ele nos tem falado apenas de uma maneira. Teologicamente e exegeticamente falando Ele nos tem falado filialmente.

     O que não se pode omitir neste processo de revelação divina é o seu caráter dinâmico. E por isso também a fé não pode ser tão somente uma fé institucional, já que ela também se revela dinamicamente. Ela é transformadora por transformar tudo ao nosso redor ao mesmo tempo que também transforma tudo que esteja em nosso interior. Por que será que o autor no capítulo 4 desta epístola faz menção da Palavra de Deus comparando-a com uma espada de dois gumes que penetra até a região das juntas e medulas e está apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração?(Hebreus 4:12).

     Mas neste momento, vamos nos ater tão somente ao que os versos 1, 2, e 3 deste capítulo 11 nos diz. E muito embora estejamos diante de uma narrativa que atribui situa o momento da criação no passado ela não o faz na intenção de que os efeitos da mesma já não tem mais eficácia para o momento atual. Isto porque é Deus que está também no controle de tudo o que foi criado até agora. Digamos que numa outra forma de se tentar traduzir o que autor tem colocado com tamanha ênfase, que a fé é este elemento catalizador de todas as coisas desde uma perspectiva que tenha como prerrogativa o agir e o controle de Deus sobre a sua criação.

     O verso primeiro então introduz um estilo enfático a partir da posição em que se encontra o verbo ser_ EINAI, aqui flexionado no presente do indicativo e relacionando fé a todo tipo de conotação que o termo_ HYPOSTASIS, possa sugerir: Fundamento, substância ou essência, etc. Este verso também introduz um período por coordenação com a oração seguinte e, por conta disso, estabelece a paridade entre o que se espera_ ELPIDZOMENON com o que ainda não se pode ver_ BLEPOMENON. Isto é o que se pode dizer, desde uma perspectiva cronológica tipicamente humana, e que se introduziu na cultura cristã e ocidental via pensadores como Hegel.

     Impreterivelmente entramos em um assunto de base filosófica. E com muita especificidade numa filosofia da história que vê o tempo através de seus elementos progressivos com início, meio e fim. Todavia, e como fiz menção de uma fé a partir de minha experiência como um elemento catalizador, vale ressaltar a presença desse elemento dinâmico quando se fez menção da qualidade progressiva do tempo e citar um de seus maiores expoentes(Hegel). Porém, é a fé que produz este efeito de que, muito embora exista a dinâmica progressiva do tempo em toda esta narrativa e, em especial no verso primeiro, a ênfase não recai sobre o tempo. É Deus quem está no controle de tudo, inclusive do tempo. Tem muita procedência afirmar que Deus é o Senhor da história.

     O verso dois nos mostra que a dinâmica dessa fé é também capaz de nos colocar como resultado do que um dia, no tempo e no espaço, outros que experimentaram dessa relação bem mais próxima e dinâmica  com Deus, são coparticipantes deste mistério agora revelado. Mas a ideia de que é pela fé que os Antigos alcançam testemunho. Ou mais antigos_ PREBYTEROS, comparativo de PREBYS. Aqueles que fazem de um passado histórico e estes identificados com a trajetória histórica do povo Hebreu, e esta conduzida pelo Deus Todo Poderoso que primeira e historicamente se revela em Israel.

     Chegamos então ao verso três e concluímos que é com base neste arcabouço histórico que inclui tanto os de agora quanto os antigos que também construímos o conhecimento enquanto participação e envolvimento. E que permanece como escopo de uma percepção mental. Com efeito, não se pode querer equiparar o conhecimento advindo de uma relação com Deus e por instrumentalidade da fé com o tipo de conhecimento que grassa hoje nos meios acadêmicos, onde impera a Razão do técnica. E concluir que é pela fé que entendemos que os mundo foram criados pela Palavra de Deus. 

     É também necessário esclarecer que a referência à Palavra de Deus não tem relação com o lado escriturístico. Palavra de Deus aqui_ REMATI THEOU, um dativo singular e instrumental do vocábulo REMA_ que significa uma palavra enquanto está sendo falada. Ou seja, REMA é o ato propriamente dito de falar. O aspecto interessante a se destacar neste verso e que salta aos nossos olhos, diz respeito ao ato criador e criativo de Deus que não tem como qualidade a cessação deste mesmo ato. Em outras, palavras Deus criou o mundo por intermédio de sua Palavra e ao mesmo tempo sustenta sua criação ao estabelecer uma forma que ecoa desde o princípio a palavra que gera e que pelo seu ecoa conserva a criação.





CONCLUSÃO


   
     O problema central e norteador deste texto era no sentido de se responder se existe ou não algum tipo de compatibilidade entre a Bíblia e o conceito ou conceitos que se tem construído sobre a ciência ou ciências nesses tempos de pós modernidade? E com isso, se buscou a construção de uma perspectiva histórica que levasse em consideração o desenvolvimento ou evolução do pensamento humano. Consequentemente a busca por referências históricas e filosóficas era inevitável. Mesmo que de maneira embrionária o texto foi capaz durante seu desenvolvimento de estabelecer algumas nuances demarcatórias e que indicavam que a Bíblia enquanto elemento ainda de formação do cânon sob o espectro de uma aura institucional que dela se apropriou, acabou se transformando para os que não a entendiam dessa maneira instrumento do atraso.

     O resultado catastrófico, porém, previsível era de que aqueles que não compartilhavam dessa posição buscariam outras vias, ou digamos outras formas de se mediar o que ao homem se apresenta como Fenômeno perceptível do ponto de vista de sua característica sinestésica e sensorial. Ou seja, se olharmos a situação desde agora e tendo consciência e distinção de todos aqueles aspectos que também caracterizam o conceito de revelação muito utilizado por todos nós que temos nossas origens no cristianismo, diríamos que a revolução ou reviravolta veio debaixo. E esta revolução e a reviravolta que resultou se traduziu e se multiplicou por instrumentalidade das várias modalidades do pensamento humano e suas escolas filosóficas.

     Não foi sem propósito e, que a rigor, me concentrei em algumas das principais escolas de pensamentos que exploraram tanto a capacidade inata do ser humano de apreender e aprender tendo como base a razão(Racionalismo) e aquela que se baseia na experiência como fonte do conhecimento(Empirismo). De certa forma, essa revolta provocou o desmoronamento de alguns princípios basilares que durante séculos sustentaram as sociedade humanas aqui no lado ocidental. A desconfiança surgia principalmente por causa de uma espécie de poder hegemônico, centralizador e revestido de sacralidade.

    Atualmente, é esta má vontade para com a Bíblia enquanto Palavra de Deus, por ela ter se tornado o instrumento de opressão de uma determinada ordem institucional, que tem impedido um diálogo mais aproximativo com os que representam essa tradição que buscou vias alternativas ao longo dos séculos. Aqueles que construíram a ideia de que a Bíblia enquanto texto sagrado e representativo de um poder institucional foi o instrumento também de opressão, são os mesmos que, apesar de aceitarem a sua presença no ambiente acadêmico, delimitam o caráter investigativo e científico desde uma perspectiva e linguagem de símbolos e onde os mitos estão instalados.

     A principal consequência disso é a redução dos conteúdos cristãos e entre eles a questão da revelação equiparando-os a parâmetros simbólicos e míticos, fazendo com que o cristianismo seja mais uma religião entre tantas outras. Este foi o resultado criado pelo embates que questionaram os fundamentos históricos e filosóficos do cristianismo enquanto religião detentora da verdade entre e por consequência a Bíblia acabou entrando neste tiroteio por ser o livro-texto fundante e fundamental da revelação cristã.

        







   

     

     








TEXTO - Rute 1:1-17

TEMA - O QUE,  AFINAL DE CONTAS, ESTÁ ACONTECENDO COM AS NOSSAS FAMÍLIAS?

ICT - UMA FAMÍLIA DE ORIGEM HEBREIA QUE POR CAUSA DE DIFICULDADES ECONÔMICAS EM DECORRÊNCIA DO FLAGELO DAS SECAS QUE É MUITO COMUM EM REGIÕES SEMI-DESÉRTICAS. ACABA EMIGRANDO PARA O PAÍS VIZINHO(MOABE), E ALI SE ESTABELECE.

OBJETIVO GERAL - LEVAR A CONGREGAÇÃO AO ENTENDIMENTO DE QUE QUANDO EXISTE UMA RELAÇÃO DE AMOR E RESPEITO, O SISTEMA DE FAMÍLIA PATRIARCAL JAMAIS FOI E JAMAIS SERÁ UM PROBLEMA.

OBJETIVO ESPECÍFICO - LEVARA A CONGREGAÇÃO AO ENTENDIMENTO DE QUE É DENTRO DA FAMÍLIA QUE SE APRENDE O RESPEITO, O TEMOR DO SENHOR E A CAPACIDADE DE SE ESCOLHER PERMANECER NO TEMOR DO SENHOR OU VOLTAR AOS DEUSES DO PASSADO.

TESE - NUMA FAMÍLIA DO TIPO PATRIARCAL E CRISTÃ, O DEUS TODO-PODEROSO É O DEUS DE TODOS.






INTRODUÇÃO



     O exemplo deste livro é emblemático para quem quiser e desejar fazer uma reflexão séria sobre o que de fato acontece com as nossas famílias e os desafios que ela tem encontrado atualmente para se manter íntegra e sólida. A ponto de estar apta a suportar tudo quanto é tipo de ataque. Mas curiosamente, e, a meu ver, o discurso daqueles que se dizem defensores da família tradicional e patriarcal não constroem uma base de defesa sólida ao se utilizarem da escritura. E por isso fazem pouco uso de um livro como o livro de Rute. Ele é muito pouco lido pelos crentes e até mesmo pelos pastores. E eu como um pastor quero também assinalar o MEA CULPA. Eu não posso e não devo me eximir desta responsabilidade. Ela também é minha.

     Se nós olharmos sob a perspectiva dos flagelos que mais assolam a raça humana. Um deles é a escassez de alimentos e este surge em decorrência das questões climáticas, sendo que as questões climáticas decorrem da posição geográfica desta ou daquela nação. Já havia inclusive uma advertência quanto a forma de como o povo hebreu ocuparia a terra prometida. Isto se dava pela necessidade com relação a adequação e adaptação ao novo ambiente e território, já que era uma terra de onde o povo deveria esperar o suprimento de água que viria dos céus e não mais como acontecia no Egito(Deuteronômio 11:11).

     Foi em decorrência de um flagelo como este que está relatado no verso primeiro deste livro que se fez referência no parágrafo anterior. O verso primeiro especifica que houve escassez de alimento. O tempo deste flagelo aponta para uma época em que os Juízes julgavam Israel. É aquele período que se inicia depois da liderança de Josué e anterior ao aparecimento de Samuel. Este é o período quando uma família proveniente de Judá emigra para os campos de Moabe em busca de trabalho e provisão. 

     São hebreus que durante pouco mais de uma década se constituirão em imigrantes nesta terra. E como por lá permaneceram esse período de tempo considerável. Neste ínterim aconteceu de o patriarca da família vir falecer e consequentemente seus dois filhos contraírem casamentos com duas moabitas.  Não custa nada relembrarmos a história desse povo moabita. Que de certa forma mantinha algum laço de parentesco com os hebreus. Ainda que a origem dessa etnia seja resultado do pecado do incesto(Gênesis 19:31-37).

     Agora, o que fica bastante claro neste texto é que a relação dessas duas moabitas com esta família de origem hebreia era de uma submissão total. Até porque o fato delas terem aceito contrair matrimônio com os dois filhos de Noemi e se submeterem ao culto do Deus Hebreu, que era o Deus cultuado no interior desta família, sinaliza também que as famílias de um modo geral neste período e nesta parte do mundo também adotavam o sistema patriarcal de constituição das famílias e da sociedade.

     Grosso modo se tivéssemos que comparar o patriarcalismo hebreu com o que nós hoje temos de informação sobre a forma como as famílias muçulmanas se organizam, creio não haver muita diferença. Entretanto, um dado é muito significativo e também pode fazer toda a diferença. E este se pode ver na forma como Noemi depois de tudo que aconteceu com sua família e sua deliberação em retornar ao seu povo. Ela quer se despedir de suas noras exortando que elas retornem às casas de suas mães. Já que estão livres e desimpedidas de qualquer compromisso para com ela.

     Somente Orfa foi capaz de atender ao pedido de Noemi e o verso 15 faz menção de que quando Noemi ainda está com a intenção de que também Rute faça o mesmo. É sintomático que o motivo pelo qual Rute não atenda ao pedido de sua sogra está naquilo que o verso informa pela boca de Noemi e por suas próprias palavras: "Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada." Devo deduzir que a moabita Rute não deseja voltar ao seu povo e aos seus deuses.

     Os versos 16 e 17 onde se registra a resposta dessa moabita chamada Rute é uma das mais belas declarações de amor ao próximo e de fé no Deus de Israel. Fizemos menção de que essas moabitas ao casarem-se com os filhos de Noemi aceitaram se submeter também ao Deus que se cultuava em casa de Elimeleque marido de Noemi. Elas puderam então aprender as histórias e tradições do povo hebreu e a religião monoteísta de Israel. E pelo jeito foram muito bem instruídas. E ao final tiveram a oportunidade de optarem em continuar com Noemi e um futuro incerto em seu retorno a Israel ou retornarem como fez Orfa à casa de sua mãe.




I - UMA FAMÍLIA DE IMIGRANTES QUE LEVA O SEU TESTEMUNHO DE FÉ ATÉ MESMO PARA O ESTRANGEIRO.(V.V.1-6).


   
     O principal dado que merece uma atenção especial nestes seis primeiros versos deste capítulo, diz respeito ao testemunho de fé desta família que vindo de Belém de Judá se estabelece neste território, nos campos de Moabe. Vale lembrar que eles são imigrantes e que agora se dirigem para uma terra que adota costumes estranhos e adoram divindades múltiplas. Logo, de acordo com o preceito da Lei de Deus, é uma terra com costumes idólatras.

     O texto nada oferece como informação sobre como foi a adaptação desta família em uma terra como esta. Ele também não indica nenhum tipo de ajuizamento moral e religioso pelo fato de os dois filhos de Elimeleque e Noemi terem contraído matrimônio com duas moabitas. E sequer faz algum tipo de menção sobre algumas rusgas históricas entre Israel e Moabe. Mas uma coisa precisa ser ressaltada é que apesar de algumas contendas de Moabe contra Israel, houve um momento em que Deus lembrou-se de Ló e daquele que estando a frente deste povo constituía-se como seu herdeiro(Deuteronômio 2:9).

     Outro dado que não pode ser omitido neste primeiro trecho de leitura está no fato de que todos os varões desta família são levados por Deus, ou seja, eles morrem. Com isso, e através do diálogo de Noemi com suas noras é suscitado um princípio legal muito observado por Israel e que visava não somente uma medida de proteção e amparo à mulher assim como a preservação da descendência do finado marido. E esta responsabilidade era assumida pelo filho mais moço. Esse princípio legal ainda persistia em Israel no tempo do N.T. E foi, inclusive, objeto de debate por uma celeuma criada por aqueles que se diziam saduceus e questionaram ao Senhor Jesus usando as informações que tinham sobre este preceito legal(Mateus 22:23-29; Marcos 12:18-25; Lucas 20:27-34).

     Noemi tendo consciência de que pelo avançado de sua idade a observância deste princípio era, aos olhos humanos inexequível, impraticável. Insiste para que suas noras noras retornem aos lares de onde vieram. Suas noras também também tinham consciência da impossibilidade aventada e respaldada por este princípio legal. É realmente um momento de muita comoção entre essas três mulheres. O tom é de despedida e pode se ver isso com mais detalhes nos versos seguintes, em especial, o verso nove e, portanto, no tópico seguinte.

     Porém, como fiz menção no primeiro parágrafo deste tópico, há um dado que merece uma atenção especial. Pois ele nos dá conta do testemunho que esta família mesmo estando em uma terra estranha não se deixou levar pelos costumes idólatras desta terra. E o exemplo também foi seguido pelos dois filhos de Elimeleque e Noemi. que apesar de terem contraído núpcias com duas moabitas, está claro que ambas aceitaram e aderiam a fé no Deus de Israel. Ora, isso somente seria possível pelo testemunho que esta família com certeza dava enquanto se manteve ali naquele lugar. (A minha esposa sempre diz que a mãe dela orientava as filhas, e minha sogra teve oito filhas, são dez no total os filhos. A orientação dela era sempre quando alguma delas se interessasse por um rapaz da igreja, que se observasse a família desse rapaz. 

     Noemi ao ouvir que Deus novamente havia visitado o seu povo e deixando o lugar onde residiu por aquele tempo de estada nos campos de Moabe, inicia o processo de despedida de suas noras. A partir de agora, eu entendo que é um momento de profunda comoção que essas três mulheres experimentam. Diferentemente do que acontece em nossos tempos quando uma mulher casava-se, o seu destino, os seus sonhos e ideais estavam de tal forma atrelados a vida do homem e de sua família. Que aventar a possibilidade de que tal coisa aconteça como aconteceu com essas três mulheres significava, e isto era perfeitamente factível que Deus entre outras coisas virou sua face da vida de quem passava por tamanho drama.




II - UM DRAMA HUMANO QUE SE ORIGINA POR UM FLAGELO(V.V. 7-13).




     Primeiramente existe a necessidade de se esclarecer o porque da utilização de um termo como flagelo. E para tanto, existe a necessidade de se explicar o significado de tal terminologia. E ainda que tenha consciência do teor significativo e inclusive da origem etimológica dessa terminologia, preciso pensar de um modo bastante prático que é o tipo de sorte, se é que isto deva ser considerado como sorte, que não se deseja pra ninguém. Fiz menção logo no segundo parágrafo da introdução deste texto de alguns flagelos de assolam o homem. E naquele momento e situação o estava associando a escassez de alimentos tal qual o texto também nos informa. É muito difícil e triste ver pessoas passando fome. É deprimente para todos nós.

     Foi por causa do flagelo ou sofrimento da fome que a família de Elimeleque emigra de Belém de Judá para os campos de Moabe. Muito embora a referência as circunstâncias que levaram esta família a emigrarem tenha relação com o juízo divino. Deduzo esta afirmação pelo que se encontra relatado no verso 6. Nele, Noemi ao tomar conhecimento de que o Senhor tinha novamente visitado o seu povo dando-lhe pão. Ou seja, Deus estava um pouco afastado do seu povo, desculpe-me pelo eufemismo, mas é uma força de expressão para entender que o povo não estava andando na retidão que o Senhor sempre exigiu e que estava selada no pacto que ele fizera com este povo quando saíram do Egito.

     Ao que parece a família de Elimeleque e Noemi era uma família de hebreus piedosos e tementes a Deus. Entretanto, mesmo quando somente uma parte do povo peca, as consequências deste pecado recaem sobre todos. Então o flagelo da fome por causa da desobediência do povo assolou a terra de Judá. Esse drama começa com o flagelo da seca e consequentemente da fome. E isto foi capaz de criar um drama na vida dessa família. A procura de trabalho e de alimento para o sustento de sua família Elimeleque, sua esposa Noemi e seus dois filhos se dirigem para os campos de Moabe. Com isso há o desdobramento deste drama que culmina com o falecimento dos varões deste lar.

     Agora, e a partir do verso 7, o outro drama que se instala nesta família é a ausência de um provedor. Uma figura masculina que fosse capaz de prover o sustento de sua casa. A idade avançada de Noemi não lhe permitia construir um novo lar e prover de filhos este lar para que os filhos dessa união pudessem futuramente assumir e suscitar descendência dos seus finados filhos, maridos de Rute e Orfa. diante desse caos social instalado sobre a cabeça de Noemi, esta serva do Senhor, o clima acaba se tornando de despedida. É sua intenção despedir suas noras para que voltem às casas de seus parentes e consequentemente adaptarem às regras e costumes de suas famílias, as quais tinham ficado para trás ao se casarem com hebreus tementes a Deus. 

     Esse flagelo ou caos social que se abateu na vida de Noemi, ainda que exista esse reconhecimento no verso 13 de que foi a mão do Senhor que se descarregou contra ela. Há um sentimento de resignação pelo que com ela acontece e provavelmente a sua intenção em se despedir de suas noras tinha como intenção atravessar sozinha toda aquela dificuldade e dor que atravessava. Em outra palavras, ela poderia estar sinalizando às suas noras que tudo que estava acontecendo era responsabilidade dela e somente dela, e não achava justo que suas noras também tivessem o mesmo destino que ela. Elas eram jovens e poderiam reconstruir suas vidas e com Noemi esta possibilidade estava descartada.





III - AS MULHERES TINHAM SIM LIBERDADE DE ESCOLHA(V.V. 14-17).




     Noemi tinha deliberado diante de todas as dificuldades que se abateram sobre sua vida, e tendo conhecimento de que as coisas já não estavam tão difíceis em sua terra. Pois o Senhor a havia visitado. Mesmo assim ela sabia das dificuldades que enfrentaria e queria passar por elas sozinha. Sua intenção era de não ser um peso morto para as suas noras. Sem ela, suas noras seriam pessoas livres e poderiam contrair um novo matrimônio. Em síntese é o que expõe para elas. E Orfa com o direito que tinha de fazer uso  de sua vontade nesta situação, com muito choro e lamento se despede de sua sogra e retorna a sua parentela, ao seu povo e consequentemente aos deuses daquela terra.

     Não se deve nem um pouco ajuizar negativamente a escolha que Orfa fizera. Ela estava dentro de seu direito de optar por seguir sua sogra; ou voltar a sua parentela. E o texto ressalta que ela faz uso dessa opção movida por emoções fortes. Tanto isso é verdade que ambas, tanto Rute quanto Orfa estão relutantes em deixar sua sogra Noemi. E somente depois de muita insistência é que Orfa decide voltar a casa de seus pais. Essas mulheres devem ter sido tratadas muito bem por seus maridos a ponto de num momento como este ainda estarem emocionadas com tudo que lhes acontece. Justamente agora quando podem fazer suas escolhas ainda relutam em deixar a sua sogra.

     Não é o princípio legal que mais interessa aqui e sim a relação de amor e respeito que estas mulheres tinham entre si. Também reconhecer que esta situação não é tão comum em uma sociedade patriarcal e machista. Se atualmente somos capazes de mapear através de especialistas nesta área o mapa da violência doméstica, temos que ter consciência de que, e por conta dos dados que hoje são levantados, e que em uma época tão remota como esta a mulher era passível de sofrer muito mais violência do que hoje. A temática deste livro então, se constitui em uma pregação em que o sistema em si não é o problema e sim as relações de amor e respeito que devem ser preservadas em qualquer situação e contexto das relações humanas.

     Tendo Orfa relutado em deixar sua sogra, mas convencida por ela volta ao seu povo. Então ela se despede e segue o seu caminho. Porém, neste mesmo verso 14 e tendo consciência de todas as dificuldades que lhe acarretaria se continuasse ao lado Noemi. O texto diz que Rute se apegou a ela, ou seja, Rute não largava sua sogra. Ela testemunhou Orfa despedindo-se da sogra e dela também. Mas não largava Noemi. Foi a opção dela naquela momento. O verso 15 mostra que numa última tentativa Noemi tenta convencê-la de que ela deveria fazer o mesmo que Orfa. Mas tudo foi em vão. Esta moabita está decidida a seguir a sua sogra onde quer que ela fosse.

     E o que se vê nos versos 16 e 17 é uma verdadeira declaração de amor, de acarinho e de respeito para com aqueles que são mais idosos. Estes dois versos inspiraram canções e hinos que fizeram parte de celebrações de casamentos, etc. Mas o grande problema é que geralmente essa inspiração parou na celebração e não foi levada para o dia a dia do convívio matrimonial. As palavras de Rute assim como todo este capítulo primeiro deveria ser fonte inspiradora quando cuidamos dos nossos idosos, quando contamos ou achamos graça das muitas piadas sobre as nossas sogras, quando não cultivamos a paz e harmonia no convívio do lar. E principalmente quando não ensinamos aos nossos filhos o Temor do Senhor.






CONCLUSÃO



     O livro de Rute pode ser um grande instrumento quando se pretende falar de algumas virtudes que atualmente estão muito esquecidas pelos seres humanos. Ele destaca que o respeito, o amor e a própria fé somente podem ser ensinados no contexto e convívio do lar. E que numa família onde os valores da fé no Deus verdadeiro são preservados aqueles que entram para esta família, ou reforçam estes valores se já os têm, ou são convertidos e convencidos pela experiência e vivência deles.

     Quando nos perguntamos atônitos, desnorteados e sem entender o que tem acontecido com as nossas famílias? Não deveríamos, a primeira vista, achar que o mal vem de fora. Pois certamente ele procede de lá mesmo. Mas, deveríamos nos perguntar por que não nos blindamos de tal forma que ele não entre e tome conta de tudo no interior de nossas casas. Não deveríamos nos perguntar pelo porque de sua eficácia. Deveríamos ser capazes de identificá-lo, já que eficaz ele sempre foi. E será que temos tido esta capacidade?

     Quando a família de Elimeleque emigrou para os campos de Moabe, ela sabia que se dirigia para viver entre pessoas com hábitos e costumes diferentes dos seus. Ela sabia que era uma terra de idólatras. E o tempo que ali permaneceriam poderia ser o fator primordial para uma transformação e, quem sabe, uma adaptação ao modo de vida dos moabitas que incluiria suas práticas religiosas e idólatras. Ao que parece, e mesmo com um desfecho não tão feliz para esta família, pois ela correu risco de ser extinta. O efeito foi contrário.

     Foi a família de Elimeleque e seus valores que influenciou e transformou a vida de duas mulheres. Já falamos um pouco de Orfa, mas quase nada de Rute que é a pessoa que pela sua vida de dedicação, respeito e amor para com sua sogra Noemi dá nome ao livro. Ela representa a excelência do aprendizado que se constrói no lar. Ela teve o seu caráter moldado pela convivência e experiência no seio de uma família temente a Deus. Ali, ela conheceu o Deus verdadeiro. Logo, o testemunho de Elimeleque, Noemi e seus dois filhos transformaram a vida de Rute.

     Os versos 16 e 17 deste capítulo são uma das mais lindas declarações de amor, de respeito e de fidelidade a Deus. E que impreterivelmente não tem como descartar o ser humano na figura de sua sogra Noemi para que atinja a sua plenitude. Isso fica mais claro quando encontramos no capítulo 4 deste mesmo livro e nos versos 14 e 15 a declaração de algumas mulheres a cerca de Noemi e de sua nora Rute: Então as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar um remidor, e seja o seu nome afamado em Israel. ele te será por restaurador da alma, e nutrirá a tua velhice, pois tua nora, o deu à luz, e ele te será melhor do que sete filhos.










                                                



















FAMÍLIA QUE SE EDUCA



TEXTO - Deuteronômio 6:1-13



IDEIA CENTRAL DO TEXTO - Há um princípio legal que se estabelece enquanto parâmetro para todo o regramento que viria a seguir e o seu consequente compromisso de se cumprir. Entretanto tudo isto enquanto memorial deve ser ensinado. A responsabilidade por este ensino não está objetivamente claro que seria de responsabilidade dos clérigos, neste caso, os que se ocupavam do serviço sacerdotal e sim é responsabilidade das famílias.



OBJETIVO GERAL - Levar a congregação, do ponto de vista da ordem institucional e constitucional do país, a tomar consciência de sua responsabilidade enquanto tutores de seus filhos. Lembrando sempre que é uma obrigação desde que sejam cidadãos deste Estado, cumpridores dos seus deveres e que, neste caso, estão respaldados pelo princípio legal, escriturístico e bíblico.

OBJETIVO ESPECÍFICO - Levar a congregação ao entendimento de que em cada lar deve haver um processo constante de educação e formação dos que nele residem e com funções específicas.

PROPOSIÇÃO - A educação e a formação do indivíduo começa no lar e é um processo constante.





INTRODUÇÃO


     Não resta dúvida de que a família e o resultado específico do que ela é como elemento representativo para a formação da sociedade ocidental tal qual a conhecemos e que, em última análise, é a nossa experiência histórica, tem sofrido ataques extremamente cirúrgicos e eficazes. As ditas grandes democracias do ocidente são a prova cabal de tudo isso. Eu não tenho em mente o número certo de nações no ocidente que estão aderindo ao movimento de abertura para as uniões homo-afetivas e que, por conta disso, estão alterando e aderindo em suas cartas constitucionais este novo entendimento sob a forma de como as famílias se constituem.

     É evidente que o objetivo não é necessariamente focar esta palavra basicamente sobre o mote gerador descrito no parágrafo anterior. O objetivo que persistirá até o fim desta reflexão é a valorização do princípio que até hoje tem sido o elemento norteador das nossas famílias e que vem respaldado pelo princípio bíblico e legal-constitucional(Até então e nesta ordem). Pois como já foi falado algumas das democracias ocidentais estão alterando seus princípios constitucionais para atenderem às demandas que são frutos de certas reivindicações de um certo movimento LGBT de alcance internacional.

     Esta família que chamamos tradicional tem sofrido sérios e pesados ataques por causa desta nova onda que mais parece um TSUNAMI. E, numa primeira tentativa para se estabelecer um paralelo entre a situação nada agradável a que os defensores da família tradicional estão sendo submetidos neste momento e a mensagem que o texto básico em questão trazido para esta reflexão nos oferece a título de entendimento dessas duas situações: Família tradicional x relações homo-afetivas e etc. É de se notar que a dificuldade surgiu no seio deste mesmo tradicionalismo que durante séculos foi o regramento básico e geral para todos.

     Aberrações a nível de proposição têm surgido em tudo quanto é canto deste mundo dentre as quais se destacam a legalização entre outras da união matrimonial tanto homo afetivas quanto aquilo que era comumente conhecido como bestialidade que é a união entre um animal e um ser humano. O objetivo a que se presta esta palavra, entre tantos outros, é o de se fazer uma caracterização da condição e formação moral, ética e também pedagógica-educativa do homem moderno. A consequente perda dos princípios que sempre foram norteadores da moral e da conduta consagrados pela moral religiosa e cristã. E o ataque àquilo que sempre foi conceituado aleatoriamente e de fora para dentro da moral cristã que é o patriarcalismo. O qual entra no processo de formação da cultura ocidental como um preceito judaico-cristão.

     Mas eu também quero chamar a atenção de vocês para o fato de que a responsabilidade que o texto atribui aos pais no ambiente familiar está atrelada a relação de amor e gratidão ao Deus de Israel pelo que Ele fez ao prometer e cumprir que daria a seu povo, mais especificamente aos descendentes de Abrão, Isaque e Jacó(Verso 10) uma terra, comumente conhecida como a terra prometida. Ou seja, este desafio em educar as gerações futuras na Lei do Senhor teria que ter como princípio motivador o amor e o reconhecimento do ato soberano do Deus de Israel ao agir e interferir na história em favor de seu povo e com um compromisso firmado por Ele para com Abraão, se este e a sua descendência andassem em sua presença(Gen. 17:1).





I - UM COMPROMISSO DE FIDELIDADE EM RAZÃO DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA PELA POSSE DA TERRA.(V.V. 1-5)


     Há uma grande dificuldade para, a despeito de alguém com uma mentalidade moderna ou pós moderna, se entender um texto dessa natureza. Ele do ponto de vista cultural, social e religioso está muito distante de nossa realidade no tempo e no espaço. É evidente que, muito embora, eu tenha feito uma referência sobre a herança judaico-cristã no ocidente. Ela não é, em alguns casos, tão perceptiva como em outros, até porque estamos abordando assuntos com características interpretativas variadas e multifacetadas. Logo, não se pode omitir também as suas sutilezas.

     Quando muitas vezes e em circunstâncias e contextos diversos me deparava com algum tipo de leitura interpretativa a cerca do que poderia ser o conceito de PERSONALIDADE CORPORATIVA muito utilizado principalmente por Paulo, por exemplo, no Novo Testamento. E que os autores se valiam de algumas expressões do apóstolo tais como: "Se alguém está em Cristo"(II Cor. 5:17); "Se um morreu por todos, logo todos morreram"(II Cor. 5:14); "Para que nele fôssemos feitos justiça de Deus"(II Cor. 5:21); "Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos"(II Timóteo 2:11) e etc. eu ainda não havia entendido a profundidade e complexidade deste conceito até me deparar com o que este texto me tem revelado.

     Uma das nuances do conceito personalidade corporativa está relacionada ao pacto de fidelidade entre Deus e seu povo. Por outro lado, não há como falar efetivamente do pacto como "O Pacto". Pois do ponto de vista daquele que o propõe, o tal pacto nunca foi uma via de mão única. Ele sempre se apresentou como um acordo de responsabilidades recíprocas. E desde esta perspectiva o Deus dos Hebreus sempre se manteve fiel para que o referido pacto não pudesse ser quebrado. Logo, somente se pode falar como referência sobre "O pacto", por causa da fidelidade de Deus. Que por sinal é o outro dado por onde também se fala de sua eternidade, uma vez que por causa desse pacto cumprido e levado a sério por Ele e jamais honrado pelo homem. Ele também revela misericórdia e justiça(Lucas 1:50; Salmos 89:1, 100:5, !02:12, 106:31, 119:90).

     Neste mês de Maio comumente conhecido como mês da família, e do ponto de vista das nossas relações conjugais e religiosas e com cunho e marcas atreladas e delineadas também pelo direito civil. O casamento tem tanto o caráter religioso quanto civil. Ele também representa simbolicamente o selo de um pacto entre duas pessoas que se conheceram, se enamoraram e resolveram espontaneamente selar esta união através de um compromisso mais sério. Por conta desta realidade conjugal com caráter religioso e que consequentemente todas as reflexões bíblicas nos remetem ao mesmo tipo de pacto que o Deus de Israel celebrou com o seu povo. Por que será que necessitamos de ano após ano renovar um pacto que no momento em que que o mesmo fora selado aceitamos conviver como marido e mulher para o resto de nossas vidas?

     Os primeiros versos deste texto demonstram que a fase experimentada pelo povo no deserto desde a saída do Egito chegou ao fim. Os anos de peregrinação e sofrimento por causa das condições enfrentadas em um terreno inóspito e impróprio para se viver têm fechado o seu ciclo. Agora de posse dos Mandamentos, Estatutos e Juízos que o Senhor lhes envia, é obrigação e compromisso moral que este povo se aproprie dos mesmos e os administre como ensinamentos que haverão de se propagar e se perpetuar no meio do povo. E a melhor maneira de se fazer isto terá que ser lá onde o ser humano tem sua origem que é o seio da família.

     Guardar e preservar os mandamentos do Senhor tem uma relação direta com a sobrevivência e preservação do povo e seria o efeito resultante de um desdobramento histórico. Agora com a oportunidade de que estes valores construídos ao longo de uma trajetória que incluiria as sagas e peregrinações dos patriarcas, passando pela descida, cativeiro e libertação do Egito. E que agora passaria pelo processo de estabelecimento e organização de um povo que se torna nação. Portanto, estas sequências históricas aludidas neste parágrafo são o que são pelo que elas representam para o processo que ora se inicia.

     Como já foi dito a dois parágrafos acima que a ênfase e início de todo este processo de estabelecimento de Israel como nação e a conservação dos valores construídos através de sua experiência com o Senhor Deus ocorre por intermédio da família. É também no núcleo familiar que se aprenderá a temer a Deus. O povo deveria sempre se lembrar que o Senhor foi capaz de fazer maravilhas e em fazendo estas maravilhas Ele trouxe o livramento tão almejado. E o mínimo que este Deus poderia exigir era de que este povo também andasse em sua presença. A principal consequência era também crescimento e conhecimento:

     "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre."





II - MEMÓRIA, IDENTIDADE E CELEBRAÇÃO(V. V. 6-9)


     Até mesmo quando pensamos em abordar algum tema de natureza pedagógica e educativa precisamos estar atentos pra que não incorramos em algum tipo de visão anacrônica. O máximo que neste caso podemos fazer se a questão envolve aspectos pedagógicos é estabelecermos alguns paralelos entre aquela dada situação ocorrida no passado bíblico e as situações e dilemas que enfrentamos no atual estágio de desenvolvimento das sociedade humanas. Por exemplo, não dá pra falar de uma educação integral como é o caso deste texto e compará-la com a educação integral praticada por algumas sociedades modernas e tão almejada e idealizada pelos nossos educadores e jamais alcançada em termos de Brasil.

     O recurso pedagógico e educativo mais explícito que se percebe neste trecho é aquele que apela para a memorização dos mandamentos do Senhor. É a chamada educação integral de direito, de fato e também de obrigação. Estas palavras deverão estar no coração do povo. O coração era tido como o receptáculo da sabedoria e consequentemente da memória. Esse era o entendimento que as pessoas do mundo antigo possuíam sobre onde e como se guardar aquilo que era importante para a vida. A questão da memória e com ela todos os aspectos da racionalidade já se pode dizer que é bem tardia. É uma herança do pensamento do iluminista.

     Estes ensinamentos eram para ser ministrados diariamente às crianças e 24 horas por dia. Ou seja, em qualquer circunstância: Assentado em casa; Andando pelo caminho; Ao deitar-se e; Ao levantar-se. E ações como a de atar às próprias mãos pra que estivesse sempre diante dos olhos era uma forma de não se cair no esquecimento. Pode se ver também neste trecho a tendência de se relacionar a memorização das palavras e ensinamentos do Senhor àquela promessa de que o Senhor naquele estaria se cumprindo pela posse da terra que este mesmo Deus lhes tinha prometido.

     As palavras do Senhor deveriam estar em locais chave e estratégicos. Até mesmo nos umbrais e nas portas do povo quando este passasse a possuir a terra prometida. Os umbrais são os locais de acesso tanto para os que estão de fora e precisam acessar o interior de um determinado imóvel, ou para aqueles que se encontram no interior de algum imóvel e desejam se dirigir para algum outro compartimento da casa, ou mesmo se dirigir para fora. Seja lá para onde fosse as palavras do Senhor deveriam estar em locais fácil visibilidade como este para que o povo jamais se esquece do compromisso e pacto que estabeleceu com o Senhor.

     Possuir uma casa era uma posse extremamente significativa para o povo hebreu. O povo tinha consciência da experiência amarga proporcionada pelo tempo por que passou quando esteve cativo no Egito. E agora estava prestes a possuir por herança o que ele efetivamente não haviam construído. pois é o que veremos no tópico seguinte. Então, ele está sendo motivado, por conta desta lembrança histórica e amarga de cativeiro e se valer de todos os recursos pra que não se esqueça de nada que o Senhor e Deus de Israel por eles fizera até que eles chegassem onde estavam e na situação em que se encontravam.

     O objetivo e o resultado a que se objetivava chegar era de que Israel jamais se esquecesse da forma como chegara a sua terra e de como passaria a possuí-la. E, para tanto, ele precisava preservar na memória todos estes aspectos constitutivos de sua história. E que as futuras gerações também se lembrassem  e dessem continuidade às obrigações que também seriam delas para se perpetuar a memória dos fatos miraculosos ocasionados pela ação divina no meio do seu povo.




III - DE POSSE DA TERRA, O DESAFIO AGORA É O ESTABELECIMENTO DA GÊNESE HISTÓRICA(V.V. 10-13).


     O que são as categorias que reputamos como de nossa finitude se não as dimensões de tempo e espaço, há ainda algumas outras que se poderiam elencar a estas duas, mas eu prefiro me limitar a estas por julgar serem básicas e mais importante. E por fazerem parte do nosso dia a dia. Quando nós queremos sonhar, projetar algum sonho ou ideal de realização para as nossas vidas, imaginamos algo acontecendo, porém sendo formatado num ambiente ou local e num determinado tempo. Os nossos ideais de vida são construídos assim e não caia nas armadilhas de que se o que você idealizou pra sua vida não se concretizou é porque você é um fracassado. Tudo que projetamos em termos de ideal ou aspiração nem sempre se realizam e quando se realizam, isto não significa que o ambiente e o tempo onde se foi projetado correspondem exatamente às suas conquistas e a forma como elas foram alcançadas.

     A terra é elemento fundamental para que se tenha uma história e esta se distinga dos demais outros povos. Quando o povo estava cativo, isto significava que eles também não tinham direito a contar a sua história e se quer direito a algum tipo de destinação histórica. e há um fato curioso nesta abordagem se compararmos a situação onde se encontra o Estado de Israel moderno e as reivindicações de um outro Estado, este o palestino, pela posse de um mesmo lugar, pela posse de uma mesma terra. Ainda que o conturbado Estado palestino já tenha o reconhecimento de boa parte das nações signatárias no âmbito das Nações Unidas. Este estado muçulmano ainda é olhado com relativa desconfiança por parte das principais nações do ocidente.

     Não quero me alongar em comparações, até porque elas não terão a receptividade adequada em ambos os lados e ela somente serve como elemento ilustrativo neste texto, já que estamos falando da forma como Israel ao tomar posse da terra que o Senhor lhes prometera deveria se comportar. Agora no ritmo de uma nação e dentro dos limites de suas dimensões territoriais. E a recomendação é bastante clara e passará a valer a partir do instante em que se toma posse da terra. Quando entrares na terra que é fruto da promessa divina feita ainda a um chefe de família ou clã chamado Abraão. E então passares a possuir toda sorte de bens que este mesmo povo não construiu, pois era dádiva divina. A ordem é procurar não se esquecer do Senhor. Pois foi Ele que os tirou da terra do Egito e de uma vida de servidão.

     O desafio agora já não é mais a posse da terra e sim a perpetuação da memória do Senhor e de como este povo chega a posse desse pedaço de terra e de que maneira agora ocorrerá sua destinação histórica diante do mundo e entre as demais nações. É com a posse da terra que objetivamente se constrói a história(Lembram da dimensão de espaço). É dessa maneira que Israel tenta sobreviver até hoje. Eu não tenho ideia de quantos serão alcançados através deste texto. E aqueles a quem este texto tiver alcançado, não tenho como saber se conhecem, já ouviram falar ou até mesmo leram o Romance modernista de Mário de Andrade conhecido como "Macunaíma". nesta obra o autor ilustra o povo brasileiro por intermédio deste herói cujo nome é macunaíma.

     Possuir a terra está dentro da dimensão de espaço de que genérica e resumidamente já foi falado. E onde entra então a dimensão de tempo? A dimensão ocorrerá com base na apropriação do espaço e a partir daí a construção e apropriação da memória. O verso primeiro ilustra muito bem este entendimento ao fazer referência à observância dos mandamentos, estatutos e juízos do Senhor com o objetivo de que fossem cumpridos na terra que eles passariam a possuir.

     Mas o autor neste célebre romance caracteriza, de certa forma, a índole do brasileiro. Que geralmente e, a exemplo de Macunaíma, é um povo sem caráter, sem apego às suas origens e portanto sem destinação histórica. Resumindo tudo isso numa frase, já que esse espaço não é uma sala de aula e muito menos uma aula de literatura: "É o famoso complexo de vira-latas." 




CONCLUSÃO

     Do ponto de vista da gênese étnica e histórica de Israel, sua origem se baseia na saga de uma família que tinha como patriarca ou chefe de clã, um homem chamado Abraão. Essa instituição com base no patriarcalismo é uma das mais antigas desde que o homem passou a documentar a organização de suas relações. E como tudo tende a sofrer algum tipo de desgaste pelo próprio tempo, era de se imaginar que também esta organização nuclear, familiar e milenar também passasse pelo mesmo processo.

     Muito embora esse tipo de organização fosse uma característica dos vários povos do mundo antigo, o elemento primordial para a sua sobrevivência até hoje, sem dúvida está relacionado ao fator religião. Ele começa desde a criação do primeiro casal e passando consequentemente pela queda do mesmo e de como a partir de então aconteceriam as relações conjugais(Gênesis 3:16). A hermenêutica religiosa sistematizou esses acontecimentos ou relatos bíblicos e o resultado é este não mais formato, porém persiste como parâmetro de organização familiar.

     E uma abordagem atual de nossa situação enquanto defensores deste formato de organização humana e familiar que possui fundamentos mais do que sólidos pra que possa subsistir por séculos e séculos que estão por vir, ou até que o Senhor Jesus retorne, do ponto de vista de uma visão mais escatológica e imediatista. Torna-se essencial a apropriação e conhecimento de alguns conteúdos históricos. Algo que nem sempre é tão simples assim, dada a resistência de alguns líderes em nosso tempo para com às disciplinas de caráter histórico e antropológico.

     É evidente que com isso não haja algum tipo de má intenção para com aqueles preceitos de caráter estritamente dogmático, e, que portanto, são artigos de fé. Logo são inegociáveis. A oração, a vigilância e, acima de tudo, o amor ao Senhor. Não devem ser ferramentas descartáveis neste momento. Eles terão que ser a todo momento as nossas armas para se combater qualquer tipo de ataque às nossas conquistas, principalmente aquela de uma nova vida em Cristo. E pra encerrar, como diz o apóstolo Paulo em Romanos 6:1-4). Isto significa que jamais haveremos de transigir com o pecado. Que Deus nos abençoes.
     



Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR vosso Deus para ensinar-vos, para que os cumprísseis na terra a que passais a possuir;
Para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e que teus dias sejam prolongados.
Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os guardares, para que bem te suceda, e muito te multipliques, como te disse o Senhor Deus de teus pais, na terra que mana leite e mel.
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.
E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.
Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.
E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.
Quando, pois, o Senhor teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste,
E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares,
Guarda-te, que não te esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão.
O Senhor teu Deus temerás e a ele servirás, e pelo seu nome jurarás.

Deuteronômio 6:1-13


   



        

TEOLOGIA, a rainha das ciencias

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